• Masstin

Gestão de Facilities X Eficiência Energética

Atualizado: 12 de jul.

Robson Coelho Silva


Um dos temas mais discutidos no mundo da Engenharia de manutenção é a Gestão de Facilities e a Eficiência Energética. Mas o que estes dois têm a ver um com o outro?

Inicialmente vamos à uma breve introdução de cada tema e finalmente correlacioná-los.


Gestão de Facilities: é o nome dado para o controle ou coordenação de serviços e ou atividades que têm como objetivo garantir a qualidade e manutenção da infraestrutura de uma área Fabril, ou seja, bem-estar, qualidade e funcionalidade.


As pessoas têm uma visão genérica bem equivocada do termo “Facilities”, uma vez que associam somente com segurança e limpeza.


Sim. Até certo ponto, há uma razão, mas A Gestão de Facilities, vai muito além desses temas. Como por exemplo, a aplicação de métodos que buscam a Eficiência Energética.


Eficiência Energética: é um conjunto de atividades, decisões, e procedimentos que procuram usar de maneira inteligente e racional as fontes de energia, que tem por finalidade nos dias atuais a busca pela economia, indo no sentido oposto ao desperdício.


Mas como correlacionar estes dois temas de maneira inteligente?


Nos dias de hoje, com o custo de matéria-prima bem mais altos, devido às oscilações do dólar, em função de eventos externos que fazem flutuar os ativos na Bolsa de Valores gerando efeitos colaterais, no preço de insumos usados para a fabricação de quaisquer produtos, só resta aos Gestores (CEOs) se preocuparem com meios e maneiras de mitigar custos do produto visando o mínimo de desperdício. É aí onde entra a expertise de usar a

Gestão de Facilities para quantificar, qualificar e eliminar desperdícios no processo de produção ou no manuseio dos recursos da produção.


Vamos a um exemplo prático. Como podemos trabalhar com a Gestão de Facilities dando ênfase em Eficiência Energética?


O sistema de ar comprimido


O objetivo do sistema de ar comprimido é canalizar o ar comprimido produzido pelo compressor e leva-lo em alta pressão até as ferramentas de utilização. Este ar comprimido é bastante usado dentro da área fabril para gerar movimento em acionadores pneumáticos, cilindros de dupla ação (muito usado em sistemas de embalagem), para resfriamento direto em alguns casos e até mesmo em produtos de grau alimentício. Mas como tudo tem seu efeito colateral, o grande vilão do ar comprimido é sem dúvida o vazamento que contribui para o aumento considerável do custo de produção influenciando assim, no valor do produto final. Muitas empresas não se atentam a esse fator tão importante.


Vamos mensurar?


Exemplo: Qual o custo mensal de um vazamento de ar comprimido de 10mm de diâmetro?


Dados:

Nº de horas de operação no mês é de 720h.

O consumo de energia de um vazamento de 10mm de diâmetro é de 33KW.

Custo médio de kWh é de R$0,59 (preço em maio de 2022)


Logo temos:

33KW x 720 horas = 23.760KW mês.

R$0,59 x 23.760KW = R$14.018,40


O custo mensal de energia, devido esse vazamento será de R$14.018,40


Sendo assim. Se faz necessário um estudo na área Fabril com o seguinte passo a passo:


1. Mensurar, quantificar e identificar todos os pontos de vazamento, (de preferência com a Fábrica parada para que o ruído da produção não atrapalhe a eficiência da atividade).


2. Totalizar todos os pontos e reduzi-los em um único diâmetro equivalente para cálculo.


3. Simultaneamente, outra equipe realiza um estudo com expertise para levantamento do que se gasta atualmente nesta Fábrica em KW/h de Ar Comprimido (instalando analisadores).


4. Correção de todos os pontos de ar comprimido de maneira efetiva, corrigindo os pontos inicialmente identificados.


5. E por último, e não menos importante, realizar um repasse dos analisadores no sistema a fim de coletar as novas medições dos analisadores de energia após a correção.


6. Realizar uma projeção anual de economia para o cliente.


Ou seja, a todo o instante procuramos formas de nos adaptar às inovações e aos acelerados ritmos de negócio. Alinhar a expertise com uma visão empreendedora que busca mitigar custos nunca foi tão atual.


No entanto não se trata somente de economia, mas de um compromisso ambiental de que estamos usando nossas fontes de energia de maneira sábia e eficiente.



317 visualizações0 comentário